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Imóvel em Várias Imobiliárias: Como Converter uma Angariação Aberta em Exclusivo
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Imóvel em Várias Imobiliárias: Como Converter uma Angariação Aberta em Exclusivo

22 de outubro de 20269 min de leitura

O Sr. Carlos tem um T3 em Almada à venda há nove semanas. Entregou-o a quatro imobiliárias “para chegar a mais gente”. Hoje, quem pesquisa a casa nos portais encontra seis anúncios diferentes: dois a 289 mil euros, um a 295 mil, outro a 279 mil, fotografias tiradas em dias diferentes, uma delas com a sala às escuras. Houve 23 visitas. Nenhuma proposta. E o Sr. Carlos começa a pensar que o problema é o preço.

Não é só o preço. É o modelo. Quando um imóvel está em várias imobiliárias ao mesmo tempo, ninguém é verdadeiramente responsável pela venda, e o mercado percebe isso. O consultor que consegue explicar este problema com factos, e propor uma alternativa com garantias, transforma uma angariação aberta, que raramente vende, numa angariação em exclusivo com plano, preço coerente e um único negociador.

Neste artigo vemos porque é que os proprietários escolhem angariações abertas, quanto lhes custa essa escolha, qual o momento certo para propor exclusividade e o guião, passo a passo, para ter essa conversa sem parecer que está apenas a defender a sua comissão.

Porque é que o proprietário espalha a casa por várias imobiliárias

Antes de convencer alguém a mudar de ideias, é preciso perceber porque é que pensa assim. Na maioria dos casos, a decisão do proprietário faz sentido do ponto de vista dele:

  • “Mais consultores, mais compradores.” Parece lógico: quatro imobiliárias, quatro carteiras de clientes, quatro vezes mais hipóteses.
  • Medo de ficar preso. Assinar exclusividade parece entregar o controlo a uma só pessoa durante meses, sem saída se o trabalho for fraco.
  • Más experiências anteriores. Muitos proprietários já tiveram uma exclusividade em que o consultor tirou fotografias, publicou o anúncio e desapareceu.
  • Pressão de vários consultores. Quando três consultores batem à porta na mesma semana, dizer “sim” a todos é a forma mais fácil de não dizer “não” a ninguém.
  • Falta de informação. Ninguém lhe explicou, com dados, o que acontece a um imóvel anunciado várias vezes.

Nenhuma destas razões é estúpida. Por isso, a conversa não pode começar com “a exclusividade é melhor”. Tem de começar com o que está a acontecer à casa dele.

O custo real de uma angariação aberta

Para o proprietário, o custo de ter a casa em várias imobiliárias é invisível. O seu trabalho é torná-lo visível.

  • Preços diferentes para a mesma casa. O comprador vê 279 mil num portal e 295 mil noutro. Conclusão imediata: o preço é negociável, e muito. As propostas que chegam começam sempre pelo valor mais baixo.
  • A casa parece “queimada”. Seis anúncios repetidos, atualizados em dias diferentes, dão a sensação de que o imóvel está à venda há muito tempo e que ninguém o quer.
  • Ninguém investe. Nenhum consultor vai pagar fotografia profissional, vídeo, anúncios pagos ou home staging num imóvel que pode ser vendido amanhã por outra imobiliária. O resultado é o mínimo esforço possível, multiplicado por quatro.
  • Visitas sem qualificação. Cada imobiliária leva os seus clientes, muitas vezes sem os qualificar, para “mostrar serviço”. O proprietário abre a porta 23 vezes e recebe zero propostas.
  • Nenhum negociador. Quando aparece uma proposta, quem defende o preço? Cada consultor quer fechar antes dos outros, e a forma mais rápida de fechar é convencer o proprietário a baixar.
  • Informação dispersa. Ninguém consolida o feedback das visitas. O proprietário não sabe porque é que a casa não vende.

Uma forma simples de resumir isto ao proprietário: “Neste momento, a sua casa tem quatro vendedores e nenhum responsável.”

Quando é o momento certo para propor exclusividade

Propor exclusividade no primeiro contacto, a um proprietário que acabou de assinar com três imobiliárias, raramente resulta. O momento certo é quando os factos já estão do seu lado:

  • Ao fim de 30 a 60 dias sem proposta. O proprietário já sente que algo não está a funcionar, mesmo que ainda culpe o mercado.
  • Depois de uma visita sem resultado. Sobretudo se foi o seu cliente e tem feedback concreto para partilhar.
  • Quando aparece uma proposta baixa. É o momento em que o proprietário percebe que os preços inconsistentes estão a ser usados contra ele.
  • Quando o proprietário se queixa. “Ninguém me diz nada”, “só me ligam para marcar visitas”, “estou farto de abrir a porta”. Cada queixa é uma porta aberta.
  • Quando um contrato está a terminar. Pergunte, no momento da angariação, quando terminam os outros contratos, e anote a data.

A conversa em 5 passos

1. Diagnóstico com dados

Marque uma reunião presencial, não uma chamada, com um título claro: “ponto de situação da venda”. Leve números: dias no mercado, número de visitas, número de propostas, preço médio por metro quadrado dos imóveis semelhantes vendidos na zona nos últimos seis meses. Comece por perguntar: “Como é que sente que está a correr a venda?” Deixe-o falar primeiro.

2. Mostre o que o comprador vê

Abra o portal no telemóvel ou no portátil e pesquise a casa como se fosse um comprador. Mostre os seis anúncios, os quatro preços, as fotografias diferentes. Não critique as outras imobiliárias: limite-se a mostrar. “Se fosse comprador e visse isto, o que pensaria?” A maioria dos proprietários nunca fez este exercício, e o impacto é imediato.

3. Apresente o plano, não a exclusividade

O proprietário não quer exclusividade. Quer vender bem e depressa. Apresente um plano concreto para as próximas oito semanas: um único preço coerente, fotografia profissional, vídeo do imóvel, divulgação em todos os portais e redes sociais, partilha com outros consultores, visitas qualificadas e um relatório semanal. A exclusividade aparece como condição para executar o plano, não como objetivo.

4. Dê garantias que reduzem o risco

O maior medo é ficar preso. Retire esse medo antes de ele o dizer:

  • Prazo curto. Proponha 90 dias em vez de seis meses.
  • Cláusula de saída. Se o plano acordado não for cumprido, o proprietário pode terminar o contrato.
  • Relatório semanal. Visitas, feedback, contactos, visualizações dos anúncios, tudo por escrito.
  • Partilha com outros consultores. Exclusividade não significa que só os seus clientes podem comprar. Significa um responsável e um preço.

5. Faça o pedido

Depois do plano e das garantias, peça de forma direta: “Proponho que trabalhemos em exclusivo durante 90 dias, com este plano e estas garantias. Se não cumprir o que está aqui escrito, sai quando quiser. Faz sentido para si?” Depois, cale-se e espere pela resposta.

Guiões para as objeções mais comuns

“Prefiro ter mais imobiliárias, chego a mais gente.”

“Percebo a lógica, e era verdade quando cada imobiliária tinha os seus próprios clientes. Hoje, a grande maioria dos compradores começa a pesquisa nos mesmos portais. Quatro imobiliárias não trazem quatro vezes mais compradores: mostram a mesma casa quatro vezes, com quatro preços. Em exclusivo, eu partilho a casa com os outros consultores, e eles continuam a poder trazer clientes. A diferença é que há um preço e um responsável.”

“Não quero ficar preso a ninguém.”

“É precisamente por isso que proponho 90 dias e uma cláusula de saída. Se eu não cumprir o plano que lhe mostrei, termina o contrato. O risco fica do meu lado, não do seu.”

“A outra imobiliária diz que tem um comprador.”

“Ótimo. Se esse comprador existir, pode ser incluído no contrato como exceção, com nome, e se comprar nas próximas semanas, o negócio é dessa imobiliária. Assim não perde nada. Se não aparecer, avançamos com o plano.”

“Se for em exclusivo, baixa a comissão?”

“Em exclusivo, eu vou investir mais na sua casa, não menos: fotografia, vídeo, anúncios, tempo. O que lhe garanto é que esse investimento serve para vender ao melhor preço, e uma diferença de 2% no preço final vale muito mais do que qualquer desconto na comissão.”

O que oferecer numa angariação em exclusivo

A exclusividade só se justifica se o proprietário sentir a diferença. Torne-a visível:

  • Fotografia profissional e vídeo do imóvel, publicados em todos os canais.
  • Um único anúncio por portal, com o mesmo preço e as mesmas fotografias.
  • Partilha da angariação com outros consultores e redes de parceiros.
  • Qualificação de todos os compradores antes da visita.
  • Feedback de cada visita enviado ao proprietário em 24 horas.
  • Relatório semanal com números e próximos passos.
  • Reunião de revisão do preço aos 30 dias, com dados do mercado.

Os primeiros 14 dias depois de assinar

A forma como lança o imóvel em exclusivo define a confiança do proprietário para o resto do contrato.

  • Dia 1 a 3: o proprietário comunica às outras imobiliárias o fim dos contratos e os anúncios antigos são retirados. Verifique os portais até não restar nenhum duplicado.
  • Dia 3 a 5: nova sessão de fotografias, com a casa preparada, e um vídeo do imóvel. Com o imovpro.ai, pode transformar as fotografias num vídeo profissional com narração e legendas em poucos minutos, sem filmagens.
  • Dia 5: relançamento com um preço único, novo anúncio e vídeo em todos os portais e redes sociais. Um anúncio novo, com vídeo, não parece a mesma casa “queimada” de há dois meses.
  • Dia 5 a 7: envio do vídeo à sua base de compradores e aos consultores parceiros.
  • Dia 7 e dia 14: primeiros relatórios semanais, com visualizações, contactos e visitas.

Erros que estragam a conversão

  • Criticar as outras imobiliárias. O proprietário escolheu-as. Criticá-las é criticar a decisão dele. Mostre os factos e deixe-o tirar as conclusões.
  • Falar da comissão antes do plano. Se a primeira coisa que ouve é dinheiro, o proprietário vai pensar que a exclusividade é para si, não para ele.
  • Pedir seis meses sem saída. Um contrato longo e sem garantias confirma o medo de ficar preso.
  • Prometer e não cumprir. Se prometeu um relatório semanal, envie-o todas as semanas. Um relatório falhado destrói a confiança construída.
  • Relançar sem mudar nada. Exclusividade com as mesmas fotografias e o mesmo anúncio é só uma angariação aberta com menos consultores.

Checklist para converter uma angariação aberta

  • Datas de fim dos outros contratos anotadas desde o primeiro dia.
  • Dados de mercado: dias no mercado, visitas, propostas, vendas comparáveis.
  • Pesquisa nos portais com capturas de ecrã dos anúncios duplicados.
  • Plano de oito semanas por escrito.
  • Proposta de 90 dias com cláusula de saída e relatório semanal.
  • Respostas preparadas para as quatro objeções principais.
  • Plano de relançamento com fotografias novas e vídeo.
  • Primeiro relatório semanal agendado.

Perguntas frequentes

A exclusividade impede outros consultores de vender a casa?

Não. Na maioria dos casos, o consultor em exclusivo partilha o imóvel com outros consultores e divide a comissão se o comprador vier de outra imobiliária. A exclusividade garante um responsável e um preço, não limita os compradores.

Qual o prazo ideal para um contrato em exclusivo?

Para converter um proprietário desconfiado, 90 dias com cláusula de saída funcionam melhor do que seis meses. Se cumprir o plano, a renovação acontece naturalmente.

E se o proprietário não quiser cancelar os outros contratos?

Não force. Continue a enviar feedback útil e dados do mercado, e volte ao tema quando um contrato terminar ou quando aparecer uma proposta baixa. Muitas conversões acontecem na segunda conversa.

Vale a pena trabalhar angariações abertas?

Pode valer, se o tempo que lhes dedica for proporcional à probabilidade de venda. Use-as como porta de entrada para conhecer o proprietário e mostrar o seu trabalho, com o objetivo claro de as converter.

Como é que o vídeo ajuda a convencer o proprietário?

O vídeo é a prova mais visível de que vai investir na casa. Mostre ao proprietário, na própria reunião, um vídeo do imóvel criado com o imovpro.ai a partir das fotografias que já existem. Ver a casa apresentada de forma profissional vale mais do que qualquer promessa.

Conclusão

Uma angariação aberta parece segura para o proprietário, mas na prática deixa a casa sem preço coerente, sem investimento e sem negociador. O consultor que converte estas angariações não é o que insiste mais: é o que mostra os factos, apresenta um plano e retira o risco da decisão.

Na próxima reunião com um proprietário que tem a casa em várias imobiliárias, leve as capturas de ecrã dos anúncios duplicados e um vídeo da casa já pronto. Crie-o em minutos com o imovpro.ai e mostre, antes de pedir, o que a exclusividade vai mudar.

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